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Asteróide vai colidir com a Terra!"
Mais um?
    Todos conhecem a história do homem que vivia gritando "socorro!" só de brincadeira. Todos acudiam. Mas era só uma brincadeira. Um dia ele precisou de socorro mesmo. Gritou até perder a voz. Ninguém acudiu. Talvez fosse mais uma de suas brincadeiras.
    É mais ou menos isto que está acontecendo com esta história de asteróides que podem colidir com a Terra. É verdade que isto pode acontecer? É sim. Existem asteróides que cruzam a órbita da Terra e podem, eventualmente, colidir com o nosso planeta. Já aconteceu alguma vez? Sem dúvida. A superfície da Terra mostra crateras produzidas por estes impactos. Até mesmo suspeitamos fortemente que a extinção dos dinossauros tenha sido provocada pela colisão de um grande asteróide com a Terra. Mas, e agora? O que está acontecendo? É verdade que um asteróide está se aproximando da Terra, nos ameaçando?
    A notícia como ela deveria ser
    No dia 9 de julho de 2002, os astrônomos do Massachussets Institute of Technology (MIT) que trabalham no programa de procura de asteróides chamado LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research), descobriram o asteróide 2002 NT7. Esta rocha, com 2 quilômetros de diâmetro, é um asteróide Apollo, ou seja, desloca-se no espaço em uma órbita que cruza a da Terra. Sua trajetória é bastante curiosa. Ao contrário da maioria dos asteróides, que tem órbitas em torno do Sol no mesmo plano das órbitas dos planetas, o asteróide 2002 NT7 segue uma trajetória inclinada em um ângulo de 42 graus. Isto faz com que ele permaneça a maior parte do seu tempo ou acima ou abaixo do plano do Sistema Solar. A cada 2,29 anos este asteróide cruza o plano do Sistema Solar e passa não muito longe da órbita da Terra.
    A foto mostra o asteróide 2002 NT7 no dia 23 de julho de 2002. Ela foi obtida pelo astrônomo John Rogers usando o telescópio de 0,3 metros do Camarillo Observatory. Os astrônomos do MIT verificaram, após alguns cálculos, que haveria uma chance deste asteróide colidir com o nosso planeta no dia 1 de fevereiro de 2019. Só que a chance é de 1 em 100000! Mais ainda, os
dados obtidos durante 17 dias de observações, o que é muito pouco para que se possa determinar, precisamente, aquilo que os astrônomos chamam de parâmetros orbitais do asteróide. Estes parâmetros são os dados que descrevem a sua órbita e que permitem termos certeza de um possível encontro com o nosso planeta. Veja que este asteróide leva 2,29 anos para realizar uma volta completa em torno do Sol e ele só foi observado durante 17 dias. É claro que os astrônomos não precisam observá-lo durante os 2,29 anos para saber qual a sua verdadeira trajetória mas, com certeza precisam de mais do que 17 dias de observação para fazer isto.

Por que sempre há dúvidas? Os astrônomos não sabem fazer conta?

    
Cálculos de órbitas de asteróides são, inicialmente, quase sempre incertos. Os astrônomos observam o asteróide e medem a sua posição. A partir destes valores são feitos cálculos para determinar os parâmetros orbitais do asteróide. Só que os resultados não é tão precisos quanto os astrônomos gostariam que fosse. Em vez de obtermos a localização exata do asteróide no espaço o que conseguimos, devido às imprecisões nas medidas, é o volume do espaço onde existe uma maior probabilidade do asteróide ser encontrado. A seguir o astrônomo estuda a possibilidade da órbita do asteróide cruzar a órbita da Terra. Para isto eles projetam para o futuro a região, calculada anteriormente, que nos dá a probabilidade de onde podemos encontrar este objeto celeste. A partir destes dados é que verificamos a probabilidade de, futuramente, haver ou não um encontro entre este objeto e o nosso planeta. Ve-se claramente que somente o refinamento dos dados observacionais é que irá nos dar alguma certeza sobre isso. Até hoje, à medida que mais dados foram obtidos a probabilidade de que um destes asteróide caisse sobre a Terra sempre diminuiu. Isto não quer dizer que este fenômeno não ocorra ou não possa ocorrer. Há bem pouco tempo vimos a queda do cometa Shoemaker-Levy 9 no planeta Júpiter. O que estamos querendo enfatizar é a necessidade de serem realizadas muitas observações para que as imprecisões dos dados observacionais sejam superadas e o "volume do espaço" que marca a posição do asteróide seja reduzido o máximo possível.

Até onde eu posso acreditar nos astrônomos?


    Fica uma sensação estranha vermos estas contínuas notícias de "colisões com asteróides" que, felizmente, não dão em nada. Afinal, qual a seriedade da Astronomia nisto tudo?
    O que ocorre é que quando um astrônomo verifica a existência de um novo objeto deste tipo, ele comunica aos outros centros científicos para que estes comecem a acompanhar o "visitante indesejado". É um trabalho longo e meticuloso que exige muitas observações e que envolve um grande número de pessoas em todo o mundo. A notícia acaba passando para a imprensa que a divulga da forma que deseja. Quando as órbitas são melhor calculadas e ve-se que não há qualquer perigo para a Terra os astrônomos são chamados para desmentir o que nunca disseram. Há uma diferença muito grande entre "um asteróide que cruza a órbita da Terra" e "um asteróide que vai colidir com a Terra". Mas, qual a melhor manchete?

"Astrônomos descobrem um novo asteróide que cruza a órbita da Terra"
ou
"Terror vindo do Espaço: Asteróide vai destruir a Terra"

    Muitos asteróides cruzam a órbita da Terra. Por exemplo, no próximo dia 18 de agosto um outro asteróide, o 2002 NY40, com quase 0,5 quilômetro de diâmetro, passará a apenas 530000 quilômetros da Terra, menos do que o dobro da distância Terra-Lua. Neste momento, o 2002 NY40 está indo na direção do Sol mas voltará a
se aproximar da Terra no dia 14 de fevereiro do próximo ano. Além disso, daqui a 20 anos, no dia 18 de agosto de 2022, este mesmo asteróide passará bem mais próximo à Terra, com uma probabilidade de colisão de 1 em 500000. Uma ameaça? Sim, mas sejamos racionais. As chances de uma colisão existem mas são pequenas. Quando é que teremos realmente um grande risco de colisão? Ninguém sabe. Daqui a alguns anos, algumas décadas, alguns milhares de anos. Não é possível dizer isto agora. O importante é que as pessoas sejam críticas ao verem notícias de holocaustos celestes iminentes e perguntem a sí mesmas até que ponto podem acreditar no que está sendo dito. De outra forma, quando acontecer um fato verdadeiro, uma ameaça real, muito poucos darão crédito a ela: "Lá vem estes astrônomos chatos querendo aparecer na imprensa!"

Afinal, o que é a vida? É ela uma regra ou uma exceção?

    Suponha que você é enviado ao espaço com uma missão fantástica: detectar se há vida em um determinado planeta.O que você iria procurar?Em primeiro lugar, tentaria achar algo parecido com o ser humano ou com os animais maiores que existem aqui na Terra.Se não encontrasse, certamente
procuraria por pequenos animais ou por microorganismos. Mas como seria possível procurar por algo que você

não sabe muito bem definir o que é? Afinal, o que é um ser vivo? Algo que se move e tem sangue vermelho? (imagem ao lado) Baratas não tem sangue e certos tipos de animais marinhos, como a lagosta, tem sangue verde devido à presença de cobre na sua constituição! Para procurar vida no espaço precisaríamos antes definir o que é vida e aí é que está o problema. Embora conheçamos diferentes tipos de animais no nosso planeta, como pensar em algo inteiramente novo, um ser vivo que não se enquadre no nosso conhecimento terrestre de seres vivos?
    
     OS AMINOÁCIDOS
    
Poderíamos iniciar a nossa procura por vida extraterrestre pesquisando a existência ou não de determinados componentes químicos orgânicos tais como os aminoácidos. Os aminoácidos são moléculas orgânicas complexas presentes em todos os organismos vivos conhecidos até agora. São os aminoácidos que formam as proteínas, ligando-as umas às outras segundo as "ordens" ditadas pelo código genético, a famosa molécula ADN que determina as características de todos os organismos vivos.

As proteínas são moléculas muito complicadas. Uma vez que existem 20 diferentes aminoácidos que podem ser arrumados em qualquer ordem para fazer um polipeptídeo de até milhares de aminoácidos de comprimento, o potencial delas para criar um grande número de variedades é extraordinário. Esta variedade é que permite as proteíínas funcionarem como as enzimas perfeitamente específicas que compõem o metabolismo celular.
    Uma bactéria E.coli, um dos organismos biológicos mais simples e que vive como parasita no seu cólon, tem mais de 1000 proteínas diferentes trabalhando em vários instantes de tempo para catalizar as reações necessárias para sustentar a sua vida.No entanto, os próprios aminoácidos não são "vida". Não é nem ao menos claro se os aminoácidos são realmente "essenciais" para a vida! A existência deles somente demonstra que uma química orgânica complexa está em funcionamento. A palavra "orgânica" significa somente que o elemento carbono está presente e não tem qualquer conotação com
" organismo vivo"
Em princípio, um sistema vivo deveria, pelo menos, ser capaz de se reproduzir e consumir energia. Mas como explicar, por exemplo, o que ocorre com vírus e outros microorganismos que podem permanecer quietos, inativos, aparentemente mortos por períodos muito longos de tempo? E alguns animais, tais como certas espécies de sapos e peixes, que se enterram no solo árido de desertos e permanecem como mortos sem qualquer troca com o meio ambiente durante anos
até que chova de novo no local? E os ovos deixados por alguns sapos e borboletas que permanecem também anos enterrados até que uma mudança climática permita o seu desenvolvimento?
    O que é a vida?
    Um dos obstáculos para resolver o problema de como a vida se gerou na Terra esbarra no fato de que os cientistas ainda não concordaram com o que a vida é. Se os cientistas não podem definir, precisamente, o conceito de vida, como eles podem estar certos de que não temos vizinhos, aqui mesmo na Terra, a quem ainda não fomos apresentados? A resposta, bastante surpreendente, é: os cientistas não têm certeza! Se não estamos seguros sobre a definição de vida como procurá-la em locais
diferentes da Terra, por exemplo, em outros planetas? Como podem os astrônomos procurar por alguma coisa que não está claramente descrita nas suas bíblias de conhecimento? Somente com grande dificuldade isto pode ser feito mas é este o desafio que os astrônomos estão enfrentando.
Procurando algo que não sabemos o que é em um espaço muito grande.
    Os cientistas que trabalham nas missões enviadas para estudar o planeta Marte, por exemplo, dizem que, provavelmente, eles não saberão com certeza se o Planeta Vermelho tem ou não vida até que alguém vá até lá e dê uma olhada bem detalhada nele. No caso dos planetas que não estão no nosso Sistema Solar é ainda mais difícil provar ou descartar a presença de vida. A futura missão da European Space Agency (ESA) chamada Darwin, que deverá ser lançada em 2014, fará uma corajosa tentativa neste sentido. O Darwin procurará por planetas sólidos tipo-Terra porque a vida, provavelmente, precisa de uma superfície sólida para se desenvolver. O Darwin procurará por "impressões digitais" de vida na luz proveniente destes planetas. O metabolismo dos organismos vivos faz a atmosfera do planeta mudar. Um planeta que revele ter oxigênio e metano na sua atmosfera tem uma grande chance de hospedar seres vivos. No nosso Sistema Solar somente a Terra tem uma atmosfera rica em oxigênio. Entretanto, é bom ser cuidadoso com este raciocínio. A presença destes elementos na atmosfera de outros planetas em órbita em torno de outras estrelas certamente surpreenderia muitos cientistas mas ela ainda não seria prova de vida extraterrestre.
Astroquímica: a vida no espaço?
    
Além de procurar vida em outros planetas os astrônomos também pesquisam o meio interestelar à procura de novas moléculas. Este é o domínio da Astroquímica, uma parte da Astrofísica que estuda os processos químicos que estão ocorrendo no espaço. Utilizando principalmente rádio-telescópios como mecanismos de detecção, os astroquímicos têm revelado um número fantástico de moléculas existentes nas regiões mais escuras e mais frias do meio interestelar. Bem no centro das nuvens moleculares gigantes são formadas, e sobrevivem, moléculas bastante complexas, as chamadas moléculas interestelares. Com o lançamento do satélite Infrared Space Observatory (ISO) pela ESA, em 1995, houve um grande avanço nesta área de pesquisa. Este satélite determinou a existência de benzeno, a "molécula de anel" que é
um passo químico essencial para a síntese de moléculas orgânicas mais complexas. A imagem mostra algumas moléculas detectadas pelo ISO na Nebulosa Bolha (NGC 7538).
Os astrônomos agora estão procurando por algo mais ambicioso. Eles tentam detectar componentes orgânicos complexos verdadeiros tais como moléculas formadas por vários anéis de benzeno e talvez detectar aminoácidos. Para isto eles precisarão da ajuda do telescópio espacial Herschel. Estas moléculas emitem radiação no infravermelho longínqüo e na região submilimétrica.
    O telescópio espacial Herschel estará equipado com o HIFI, o mais sensível instrumento jamais construído e que foi projetado para identificar a assinatura de moléculas nestas regiões espectrais.
O telescópio Herschel com o detector HIFI permitirão que o espaço interestelar seja estudado com uma resolução espectral muito alta. Isto significa que os cientistas poderão distinguir moléculas com muitos detalhes. Além disso, por estar no espaço o Herschel e o HIFI será capaz de detectar radiação vinda de moléculas nunca estudadas antes e que são emitidas no submilimétrico e no infravermelho longínqüo. Espera-se detectar novas linhas espectrais moleculares e novas moléculas.

Notícias extraídas integralmente do Site do Observatório Nacional,
que está excelente. Vale apena conferir.
SBAA