28
Asteróide
vai colidir com a Terra!"
Mais um? |
|
Todos
conhecem a história do homem que vivia gritando "socorro!"
só de brincadeira. Todos acudiam. Mas era só uma brincadeira.
Um dia ele precisou de socorro mesmo. Gritou até perder a
voz. Ninguém acudiu. Talvez fosse mais uma de suas brincadeiras.
É mais ou menos isto que está
acontecendo com esta história de asteróides que podem
colidir com a Terra. É verdade que isto pode acontecer? É
sim. Existem asteróides que cruzam a órbita da Terra
e podem, eventualmente, colidir com o nosso planeta. Já aconteceu
alguma vez? Sem dúvida. A superfície da Terra mostra
crateras produzidas por estes impactos. Até mesmo suspeitamos
fortemente que a extinção dos dinossauros tenha sido
provocada pela colisão de um grande asteróide com
a Terra. Mas, e agora? O que está acontecendo? É verdade
que um asteróide está se aproximando da Terra, nos
ameaçando?
A
notícia como ela deveria ser
No dia 9 de julho de 2002, os astrônomos
do Massachussets Institute of Technology (MIT) que trabalham no
programa de procura de asteróides chamado LINEAR (Lincoln
Near-Earth Asteroid Research), descobriram o asteróide 2002
NT7. Esta rocha, com 2 quilômetros de diâmetro, é
um asteróide Apollo, ou seja, desloca-se no espaço
em uma órbita que cruza a da Terra. Sua trajetória
é bastante curiosa. Ao contrário da maioria dos asteróides,
que tem órbitas em torno do Sol no mesmo plano das órbitas
dos planetas, o asteróide 2002 NT7 segue uma trajetória
inclinada em um ângulo de 42 graus. Isto faz com que ele permaneça
a maior parte do seu tempo ou acima ou abaixo do plano do Sistema
Solar. A cada 2,29 anos este asteróide cruza o plano do Sistema
Solar e passa não muito longe da órbita da Terra.
|
|
A
foto mostra o asteróide 2002 NT7 no dia 23 de julho de 2002.
Ela foi obtida pelo astrônomo John Rogers usando o telescópio
de 0,3 metros do Camarillo Observatory. Os astrônomos do MIT
verificaram, após alguns cálculos, que haveria uma
chance deste asteróide colidir com o nosso planeta no dia
1 de fevereiro de 2019. Só que a chance é de 1 em
100000! Mais ainda, os |
dados
obtidos durante 17 dias de observações, o que é
muito pouco para que se possa determinar, precisamente, aquilo que
os astrônomos chamam de parâmetros orbitais do asteróide.
Estes parâmetros são os dados que descrevem a sua órbita
e que permitem termos certeza de um possível encontro com
o nosso planeta. Veja que este asteróide leva 2,29 anos para
realizar uma volta completa em torno do Sol e ele só foi
observado durante 17 dias. É claro que os astrônomos
não precisam observá-lo durante os 2,29 anos para
saber qual a sua verdadeira trajetória mas, com certeza precisam
de mais do que 17 dias de observação para fazer isto.
|
Por
que sempre há dúvidas? Os astrônomos não
sabem fazer conta?
Cálculos
de órbitas de asteróides são, inicialmente,
quase sempre incertos. Os astrônomos observam o asteróide
e medem a sua posição. A partir destes valores são
feitos cálculos para determinar os parâmetros orbitais
do asteróide. Só que os resultados não é
tão precisos quanto os astrônomos gostariam que fosse.
Em vez de obtermos a localização exata do asteróide
no espaço o que conseguimos, devido às imprecisões
nas medidas, é o volume do espaço onde existe uma
maior probabilidade do asteróide ser encontrado. A seguir
o astrônomo estuda a possibilidade da órbita do asteróide
cruzar a órbita da Terra. Para isto eles projetam para
o futuro a região, calculada anteriormente, que nos dá
a probabilidade de onde podemos encontrar este objeto celeste.
A partir destes dados é que verificamos a probabilidade
de, futuramente, haver ou não um encontro entre este objeto
e o nosso planeta. Ve-se claramente que somente o refinamento
dos dados observacionais é que irá nos dar alguma
certeza sobre isso. Até hoje, à medida que mais
dados foram obtidos a probabilidade de que um destes asteróide
caisse sobre a Terra sempre diminuiu. Isto não quer dizer
que este fenômeno não ocorra ou não possa
ocorrer. Há bem pouco tempo vimos a queda do cometa Shoemaker-Levy
9 no planeta Júpiter. O que estamos querendo enfatizar
é a necessidade de serem realizadas muitas observações
para que as imprecisões dos dados observacionais sejam
superadas e o "volume do espaço" que marca a
posição do asteróide seja reduzido o máximo
possível.
Até onde eu posso acreditar nos astrônomos?
Fica uma sensação estranha
vermos estas contínuas notícias de "colisões
com asteróides" que, felizmente, não dão
em nada. Afinal, qual a seriedade da Astronomia nisto tudo?
O que ocorre é que quando um astrônomo
verifica a existência de um novo objeto deste tipo, ele
comunica aos outros centros científicos para que estes
comecem a acompanhar o "visitante indesejado". É
um trabalho longo e meticuloso que exige muitas observações
e que envolve um grande número de pessoas em todo o mundo.
A notícia acaba passando para a imprensa que a divulga
da forma que deseja. Quando as órbitas são melhor
calculadas e ve-se que não há qualquer perigo para
a Terra os astrônomos são chamados para desmentir
o que nunca disseram. Há uma diferença muito grande
entre "um asteróide que cruza a órbita da Terra"
e "um asteróide que vai colidir com a Terra".
Mas, qual a melhor manchete?
"Astrônomos
descobrem um novo asteróide que cruza a órbita da
Terra"
ou
"Terror vindo do Espaço: Asteróide vai destruir
a Terra"
|
Muitos
asteróides cruzam a órbita da Terra. Por exemplo,
no próximo dia 18 de agosto um outro asteróide, o
2002 NY40, com quase 0,5 quilômetro de diâmetro, passará
a apenas 530000 quilômetros da Terra, menos do que o dobro
da distância Terra-Lua. Neste momento, o 2002 NY40 está
indo na direção do Sol mas voltará a |
 |
| se aproximar da Terra
no dia 14 de fevereiro do próximo ano. Além disso, daqui
a 20 anos, no dia 18 de agosto de 2022, este mesmo asteróide
passará bem mais próximo à Terra, com uma probabilidade
de colisão de 1 em 500000. Uma ameaça? Sim, mas sejamos
racionais. As chances de uma colisão existem mas são
pequenas. Quando é que teremos realmente um grande risco de
colisão? Ninguém sabe. Daqui a alguns anos, algumas
décadas, alguns milhares de anos. Não é possível
dizer isto agora. O importante é que as pessoas sejam críticas
ao verem notícias de holocaustos celestes iminentes e perguntem
a sí mesmas até que ponto podem acreditar no que está
sendo dito. De outra forma, quando acontecer um fato verdadeiro, uma
ameaça real, muito poucos darão crédito a ela:
"Lá vem estes astrônomos chatos querendo aparecer
na imprensa!" |
Afinal,
o que é a vida? É ela uma regra ou uma exceção?
|
 |
Suponha
que você é enviado ao espaço com uma missão fantástica: detectar
se há vida em um determinado planeta.O que você iria procurar?Em
primeiro lugar, tentaria achar algo parecido com o ser humano ou
com os animais maiores que existem aqui na Terra.Se não encontrasse,
certamente
procuraria por pequenos animais ou por microorganismos. Mas como
seria possível procurar por algo que você |
não sabe
muito bem definir o que é? Afinal, o que é um ser
vivo? Algo que se move e tem sangue vermelho? (imagem ao lado)
Baratas não tem sangue e certos tipos de animais marinhos,
como a lagosta, tem sangue verde devido à presença
de cobre na sua constituição! Para procurar vida
no espaço precisaríamos antes definir o que é
vida e aí é que está o problema. Embora conheçamos
diferentes tipos de animais no nosso planeta, como pensar em algo
inteiramente novo, um ser vivo que não se enquadre no nosso
conhecimento terrestre de seres vivos?
OS AMINOÁCIDOS
Poderíamos
iniciar a nossa procura por vida extraterrestre pesquisando a
existência ou não de determinados componentes químicos
orgânicos tais como os aminoácidos. Os aminoácidos
são moléculas orgânicas complexas presentes
em todos os organismos vivos conhecidos até agora. São
os aminoácidos que formam as proteínas, ligando-as
umas às outras segundo as "ordens" ditadas pelo
código genético, a famosa molécula ADN que
determina as características de todos os organismos vivos.
|
 |
As
proteínas são moléculas muito complicadas.
Uma vez que existem 20 diferentes aminoácidos que podem ser
arrumados em qualquer ordem para fazer um polipeptídeo de
até milhares de aminoácidos de comprimento, o potencial
delas para criar um grande número de variedades é
extraordinário. Esta variedade é que permite as proteíínas
funcionarem como as enzimas perfeitamente específicas que
compõem o metabolismo celular. |
Uma
bactéria E.coli, um dos organismos biológicos
mais simples e que vive como parasita no seu cólon, tem mais
de 1000 proteínas diferentes trabalhando em vários
instantes de tempo para catalizar as reações necessárias
para sustentar a sua vida.No entanto, os próprios aminoácidos
não são "vida". Não é nem
ao menos claro se os aminoácidos são realmente "essenciais"
para a vida! A existência deles somente demonstra que uma
química orgânica complexa está em funcionamento.
A palavra "orgânica" significa somente que o elemento
carbono está presente e não tem qualquer conotação
com
" organismo vivo" |
 |
 |
Em
princípio, um sistema vivo deveria, pelo menos, ser capaz
de se reproduzir e consumir energia. Mas como explicar, por exemplo,
o que ocorre com vírus e outros microorganismos que podem
permanecer quietos, inativos, aparentemente mortos por períodos
muito longos de tempo? E alguns animais, tais como certas espécies
de sapos e peixes, que se enterram no solo árido de desertos
e permanecem como mortos sem qualquer troca com o meio ambiente
durante anos
até que chova de novo no local? E os ovos deixados por alguns
sapos e borboletas que permanecem também anos enterrados
até que uma mudança climática permita o seu
desenvolvimento? |
O
que é a vida?
Um dos obstáculos para resolver
o problema de como a vida se gerou na Terra esbarra no fato de que
os cientistas ainda não concordaram com o que a vida é.
Se os cientistas não podem definir, precisamente, o conceito
de vida, como eles podem estar certos de que não temos vizinhos,
aqui mesmo na Terra, a quem ainda não fomos apresentados?
A resposta, bastante surpreendente, é: os cientistas não
têm certeza! Se não estamos seguros sobre a definição
de vida como procurá-la em locais
diferentes da Terra, por exemplo, em outros planetas? Como podem
os astrônomos procurar por alguma coisa que não está
claramente descrita nas suas bíblias de conhecimento? Somente
com grande dificuldade isto pode ser feito mas é este o desafio
que os astrônomos estão enfrentando. |
Procurando
algo que não sabemos o que é em um espaço muito
grande.
Os cientistas que trabalham nas
missões enviadas para estudar o planeta Marte, por exemplo,
dizem que, provavelmente, eles não saberão com certeza
se o Planeta Vermelho tem ou não vida até que alguém
vá até lá e dê uma olhada bem detalhada
nele. No caso dos planetas que não estão no nosso
Sistema Solar é ainda mais difícil provar ou descartar
a presença de vida. A futura missão da European Space
Agency (ESA) chamada Darwin, que deverá ser lançada
em 2014, fará uma corajosa tentativa neste sentido. O Darwin
procurará por planetas sólidos tipo-Terra porque a
vida, provavelmente, precisa de uma superfície sólida
para se desenvolver. O Darwin procurará por "impressões
digitais" de vida na luz proveniente destes planetas. O metabolismo
dos organismos vivos faz a atmosfera do planeta mudar. Um planeta
que revele ter oxigênio e metano na sua atmosfera tem uma
grande chance de hospedar seres vivos. No nosso Sistema Solar somente
a Terra tem uma atmosfera rica em oxigênio. Entretanto, é
bom ser cuidadoso com este raciocínio. A presença
destes elementos na atmosfera de outros planetas em órbita
em torno de outras estrelas certamente surpreenderia muitos cientistas
mas ela ainda não seria prova de vida extraterrestre.
|
Astroquímica:
a vida no espaço?
Além
de procurar vida em outros planetas os astrônomos também
pesquisam o meio interestelar à procura de novas moléculas.
Este é o domínio da Astroquímica, uma parte
da Astrofísica que estuda os processos químicos que
estão ocorrendo no espaço. Utilizando principalmente
rádio-telescópios como mecanismos de detecção,
os astroquímicos têm revelado um número fantástico
de moléculas existentes nas regiões mais escuras e
mais frias do meio interestelar. Bem no centro das nuvens moleculares
gigantes são formadas, e sobrevivem, moléculas bastante
complexas, as chamadas moléculas interestelares. Com o lançamento
do satélite Infrared Space Observatory (ISO) pela ESA, em
1995, houve um grande avanço nesta área de pesquisa.
Este satélite determinou a existência de benzeno, a
"molécula de anel" que é |
 |
um passo químico essencial para a síntese de moléculas
orgânicas mais complexas. A imagem mostra algumas moléculas
detectadas pelo ISO na Nebulosa Bolha (NGC 7538).
Os astrônomos agora estão procurando por algo mais
ambicioso. Eles tentam detectar componentes orgânicos complexos
verdadeiros tais como moléculas formadas por vários
anéis de benzeno e talvez detectar aminoácidos. Para
isto eles precisarão da ajuda do telescópio espacial
Herschel. Estas moléculas emitem radiação no
infravermelho longínqüo e na região submilimétrica.
|
O
telescópio espacial Herschel estará equipado com o
HIFI, o mais sensível instrumento jamais construído
e que foi projetado para identificar a assinatura de moléculas
nestas regiões espectrais.
O telescópio Herschel com o detector HIFI permitirão
que o espaço interestelar seja estudado com uma resolução
espectral muito alta. Isto significa que os cientistas poderão
distinguir moléculas com muitos detalhes. Além disso,
por estar no espaço o Herschel e o HIFI será capaz
de detectar radiação vinda de moléculas nunca
estudadas antes e que são emitidas no submilimétrico
e no infravermelho longínqüo. Espera-se detectar novas
linhas espectrais moleculares e novas moléculas. |
Notícias extraídas
integralmente do Site do Observatório
Nacional,
que está
excelente. Vale apena conferir. |
|